Mitos e Verdades; Quebrando as regras e a "frescura" no mundo do whisky

Mitos vs. Verdades; O que é real e o que é frescura?

    Para você que é noviço no mundo do whisky, ou mesmo um bom colecionador mas que não quer ouvir "enchessão de saco" criei este post para acabar com alguns mitos criados por puristas ou "marketeiros" sobre a nossa bebida favorita.

    A verdade sobre a bebida (whisky) é muito mais simples do que parece. Abaixo listei os maiores mitos que cercam o mundo do whisky.

1. "Colocar gelo no whisky é imperdoável".

  • Mito: "adicionar gelo estraga o whisky".
  • Verdade: O gelo atua em dois fatores; o primeiro, permite com que a bebida resfrie e se torne mais palatável ao consumidor. Ao "amaciar" o whisky, o efeito da rebatida do álcool inicial é reduzido. Em contrapartida, os defeitos do destilado também se amenizam com a adição dele.

    O segundo fator é o da diluição. É fato que ao se adicionar gelo, o mesmo se transforma em água. Água no whisky será, em muitos casos, benvinda já que permite a liberação de mais aromas e notas do destilado, podendo facilitar a degustação.

Gosto pessoal; eu prefiro whisky sem gelo. Existem algumas expressões que sem gelo não é um whisky tão palatável. Uma delas e a Chivas Regal 12 Anos.

    Em alguns whiskies do tipo Cask Strength a adição de gelo vai elevar a experiência, devido ao fator da diluição.

    Sobre gelo e água no whisky, recentemente fiz um post aqui no blog explicando um pouco melhor sobre esta temática.

2. "Quanto mais velho o whisky, melhor".

  • Mito: "quanto mais velho o whisky, melhor".
  • Verdade: O tempo de maturação do uísque mais jovem contido na garrafa é o que indica a idade no rótulo. Alguns whiskies não indicam idade, os NAS (No-Age Statement). Existem uísques mais jovens muito mais complexos e saborosos do que uísques mais velhos. O inverso e "lógico" também é uma verdade.

    O que realmente conta para a idade do uísque está em alguns fatores, sendo o ápice da curva de maturação da região, e a qualidade dos barris, como um deles. Por exemplo, para a maturação máxima ous whiskies bourbons com seis meses já atingem seu máximo de sabor. Isso é influenciado pelo clima dos EUA, principalmente no úmido estado do Kentucky.

    Já em Islay, na Escócia, os Single Malts turfados em sua grande maioria apresentam expressões mais novas que os de Speyside. Isso se dá porque o melhor da maturação de um Single Malt desta região esté entre seis e dez anos, enquanto que os próximos ao rio Spey, em torno de quinze anos.


Exemplos de uísques distintos; o da esquerda, um Single Malt escocês das Highlands de 12 Anos. O bourbon da direita é um Four Roses, sem idade declarada (estimo em tonro de 6 a 12 meses de maturação no estado do Kentucky, EUA).

3. "Whisky bom é whisky caro".

  • Mito: "quanto mais caro o whisky, melhor".
  • Verdade: Whisky caro geralmente se apresenta com uma garrafa linda e uma embalagem incrivelmente chamativa. Além disso há todo o investimento em marketing para vendê-lo a você. Whisky caro não necessariamente é melhor.

    Para este item em específico é complicado comentar algo. Minha sugestão é que você deguste uísques mais baratos, principalmente se está iniciando nesta jornada. A razão é simples e óbvia; se você não gostou do uísque, você coloca gelo e água, ou mistura para fazer um bom drink.

Um Single Malt uísque de entrada simples da Glencadam. Fácil de beber, apresenta uma complexidade fácil de entender, não é muito caro e não tem muita frescura.

    Se você tem um poder aquisitivo que permita ter uma coleção e comprar uísques a preços mais altos, minha sugestão é iniciar por Single Malts da região de Speyside, Escócia. Comece pelos tradicionais de 12 anos, para após isso ou consumir os mais jovems ou os mais velhos, assim que se descobrir a sua destilaria que mais te agrada.

    Alem deles, e se o seu paladar é mais para bebidas destiladas doces, procure por Bourbons específicos do tipo Single Barrel, Single Batch, Kentucky Straight são um bom pontapé inicial.

    Última dica; fuja de uísques japoneses.

4. "Só pode ser no copo correto".

  • Mito: "para beber uísque tem que ser na taça Glencairn".
  • Verdade: A taça ajuda na degustação, mas não é fundamental. Qualquer taça com corpo cuja boca é mais fina que o bojo auxilia na degustação geral do seu uísque.

    Algumas pessoas bebem uísque em taças tipo copita, aquela que parece para cerveja ou chop. Já vi até beberem em taças de vinhos (os mais chegados no álcool). O que realmente importa é que a taça seja o suficiente para o que você pretende beber. Se for adicionar gelo, não importa o formato do copo. Se não for, se você quiser beber puro, o melhor é que a boca tenha menor diâmetro que o corpo da taça.

Diferentes tipos de taças (Glencairn, Keepie, Copita), todas elas apresentam a boca menor que o corpo, o que facilita na detecção dos aromas apresentados pela devida expressão.

    Se eu puder dar uma dica, que seja a de não girar o uísque na taça. O "swirl", girar o líquido dentro da taça, como se faz para o vinho, por exemplo, auxilia a evaporar o álcool e no uísque você não quer isso.

Conclusão

    Espero que tenha entendido um pouco em como quebrar esses mitos e verdadeiramente saborear seu uísque. O melhor uísque sempre será o que estiver em sua taça, pois ele lhe proporionará o seu melhor momento.

    E você? Qual desses mitos te surpreendeu mais ou em qual deles você já acreditou no passado? Deixe seu comentário abaixo, compartilhe este texto com aquele amigo que ama uma boa discussão sobre destilados e aproveite para nos seguir nas redes sociais!

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