Caramba quanto tempo fazia que não voltava a degustar este whisky! Pela primeira vez que o provei deve ter sido algo entre 2018 e 2019, lá na época em que nem sequer se pensava em pandemia, e que os Single Malts nem eram muito conhecidos pelos brasileiros. E o legal, na minha revisita e inclusão neste post, o sabor permanece o mesmo.
Eu acho que fiz um review deste whisky na página whisky descomplicado e até aqui no blog também. O foco da revisita de hoje não é o perfil sensorial, mas poder contar um pouco dos "causos do whisky", esses que alimentam sua história e enriquecem ao aficionado. Além disso, quem não gosta de um causo?
No século XVIII uma das formas mais comuns de transporte, além do cavalo, era o trem. Os trens de carga tinham capacidade de mover toda uma economia, levando insumos, comida, estrutura e qualquer outra coisa à distâncias longas e "intermináveis". Não foi diferente na construção da economia escocesa.
A locomotiva encravada no coração da garrafa do Longmorn Distiller's Choice é uma referência a este crescimento e desenvolvimento. As ferrovias instaladas próximo ao rio Spey também foram pontos importantes para a localização das destilarias. O rio foi a primeira opção; a ferrovia, a segunda.
BenRiach e Longmorn são destilarias quase vizinhas. Até conta-se a história que a destilaria BenRiach produzia bons whiskies e não os comercializava, mas fornecia para a destilaria Longmorn. Não somente isso, ela fornecia espaço e armazéns para seus barris em maturação. O comércio e fornecimento entre as detilarias era tão intenso que se construiu um ramal ferroviário entre elas, as destilarias, a fim de facilitar o transporte de insumos e dos produtos destilados.
Tudo se tornava muito fácil; a Longmorn mandava a BenRiach destilar os whiskies de grãos, principalmente cevada, pedi para transportar os barris para ela e a Longmorn rotulava seus whiskies após um período de maturação, ou mesmo finalização em seus vaults.
Só que há uns 30 anos mais ou menos, as coisas mudaram. As destilarias passaram para as mãos de donos distintos. Hoje, a Longmorn ainda faz parte do grupo da Chivas e a BenRiach do grupo do Jack Daniel's. E a ferrovia? Foi desativada.
Mas no coração da história, para aqueles que trabalharam nas duas destilarias, fica-se o som do apito da locomotiva, o tremor dos trilhos carregadíssimos de barris cheios de histórias e de sabor.
Mesmo alguns anos depois, durante minha revisita, o whisky continua muito interessante. Ele tem finalização em vinho Xerez, mas de passagem em barril de carvalho de primeiro uso, por isso do impacto no sabor final e na cor mais escurecida do destilado. Ele passa por três tipos de barris, diferentemente do seu irmão mais velho, de dezesseis anos.
A pergunta que fica é; depois que a BenRiach parou de fornecer seus whiskies para a Longmorn, será que o whisky continua saboroso e igual ao antigo?


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